Comércio


Foto: Humberto Capai

A Arte de Viver das Conchas

No princípio a venda do artesanato era feita com as peças expostas sobre toalhas estendidas no calçadão de Guarapari. Querendo evitar a proliferação dos ambulantes, as prefeituras das cidades litorâneas tentavam coibir o comércio de artigos sem nota fiscal, não fazendo distinção entre o produto industrializado e o artesanal. Os artesãos tinham que fugir dos fiscais das prefeituras, que confiscavam seus produtos.

A necessidade de expressar sua arte e com ela garantir a subsistência da família levou os artesãos a persistir, possibilitando o crescimento e a popularidade do artesanato de conchas por todo o litoral sul do Espírito Santo. Esses artistas criavam souveniers, pintando nas peças com tinta preta: “Lembrança de Paquetá”... ou de Salvador ou de Copacabana... conforme a praia da moda ou o gosto do turista interessado na compra ou revenda.

O lançamento do livro "O Mundo Encantado das Conchas" (1961) veio despertar a atenção do público capixaba para a qualidade e beleza desse artesanato típico do litoral do Espírito Santo . Exposições foram realizadas em diferentes locais, filmes e documentários foram produzidos, elevando o objeto artesanal à categoria de arte.

Tais ações contribuíram para mudar a percepção social e cultural da população, criando uma nova realidade para o artesanato de conchas, que hoje é motivo de orgulho para os capixabas e continua sendo importante meio de subsistência para milhares de pessoas.

As peças de conchas, antes mera ocupação de esposas e filhas de pescadores, finalmente se impõem na cultura dessa região, aos poucos se expandindo para outros municípios do litoral sul do estado. Sua produção também evoluiu, passando da arcaica produção caseira a técnicas mais sofisticadas, adaptando-se às modificações ambientais e sociais ocorridas na região.