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Mestres

A produção caseira de colares foi a primeira forma de aproveitamento artesanal das conchas. Trabalho essencialmente familiar, algumas famílias se destacam, como a de Maria das Neves, falecida aos 85 anos, que cortava os caramujos com alicate de unhas. Suas netas Devanida e Elaci, ambas esposas de pescadores, ainda hoje catam conchas e fazem colares. A importância do artesanato na vida dessas mulheres é expressa por Devanida: “Se hoje estou 'coberta', foi com a ajuda de Deus e do artesanato”.

Da confecção dos colares, o artesanato evoluiu para as figuras de animais, pessoas e objetos.

Há registros de que, em 1939, Cecília Pitanga Pinto produzia bibelôs de conchas, chegando a criar uma firma denominada IBAC, Indústria de Bibelôs Artísticos em Conchas. A produção se encerrou com sua morte, em 1972, não tendo deixado seguidores ou formado uma tradição em Vila Velha, onde morava.

Em Guarapari, onde o artesanato teve mais expressão dos anos 60 a 80, justamente por ser a cidade que permitia a venda dos produtos aos turistas, as principais artesãs eram Olga Zaché e Madame Cruz.

No entanto, o trabalho delas não prosperou para a diversificação dos objetos, para a formação de artesãos, ou para a produção em série.

Maria Helena Schineider, catadora que fornecia matéria prima para as artesãs, passou também a confeccionar e vender o artesanato. Seguindo seu exemplo, seu filho ainda hoje vende o artesanato na Feira de Guarapari.