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Seu Lili e autora Adelzira
Foto: Apoena Medeiros

Inovadores

A primeira grande inovadora nesse cenário foi a artesã Carmen Muniz Guimarães, de Piúma, que catava conchas para Olga Zaché. Da. Carmen estabeleceu um novo padrão de aproveitamento artesanal das conchas que envolveu toda a comunidade que se dedicava exclusivamente à produção de colares. Com a ajuda dos filhos e amigos, Carmen Guimarães criou as oficinas de produção em série de bibelôs.

A criação de novas figuras foi uma das grandes contribuições de Carmen Muniz Guimarães. Ela estudava cuidadosamente a forma, a cor e textura da concha para se inspirar e inovar. Ela sabia aproveitar ao máximo as características naturais das conchas.

Altair Santana, o Sêo Lili, também participou desse novo processo, contribuindo para o desenvolvimento do artesanato. Ele fazia peças mais diferenciadas, misturando as conchas com material industrializado como arame e fios de nylon, e ensinou muita gente em sua oficina. Aposentado, ele hoje é Mestre de Ofício, dando aulas sobre o assunto.

Esses artesãos estabeleceram mudanças nos padrões de produção em oficinas, assim impulsionando o artesanato local. A criação das oficinas foi um grande marco na produção desse artesanato, que perdeu seu caráter caseiro, se tornando mais organizado, com grandes bancadas de produção e divisão de tarefas.

Tendo aprendido em família ou na comunidade a trabalhar com conchas, a elas se dedicaram, criando figuras novas, inventando objetos utilitários e decorativos, despertando maior interesse dos turistas.

Eles criaram, aperfeiçoaram e difundiram uma técnica, ofertaram empregos, treinaram mão de obra, oportunizando uma ocupação produtiva e rentável para muitas pessoas, desde a cata de conchas até a venda do produto final, ampliando um ramo econômico que impulsionou o desenvolvimento das comunidades.